domingo, 17 de outubro de 2010

Idade Média Moderna

          Vivemos em um mundo moderno, tecnológico. Contudo, depois de anos tentando colocar as pessoas em seus devidos lugares, ou seja, colocá-las diante de sua ídade e o momento que deve ser vivido, estamos retornando à Idade Média.
          A Idade Média, por vezes considerada um período sombrio, foi a época em que surgiram os contos de fadas: contos populares, orais e, com significados diversos. No entanto, os contos de fadas pretendiam trazer à tona a inocência infantil. Colocar a criança no seu lugar de criança: um ser em formação com direito à infância.
          Talvez, hoje, a concepção de infância seja tão banal que não nos damos mais conta do quão importante é brincar, se sujar, se divertir. Ao contrário, (re)colocamos nossas crianças como mini-adultos, das quais se espera um comportamento adulto, suas roupas se tornaram miniaturas das que os adultos usam e todos se tornaram modelos profissionais.
          Não é mais permitido brincar. Deve-se ter a roupa perfeita, limpa, sem nenhum amassado. A pose correta diante das câmeras, fazer sucesso aos 3 anos de idade, senão antes. Quanto mais cedo colocamos essas crianças nessa posição, mais somos responsáveis por uma inversão de valores.
          Quando olhamos para os comerciais de roupa ou sapato para criança, vemos as meninas como perfeitas mini-modelos. E, os meninos são postos como mini-manos do pedaço. Os que ainda respeitam um pouco a infância são os comerciais de brinquedo para crianças até 2 anos e percebe-se que não aparecem muitos na TV.
          E, falando em brinquedos, o que mais eles vão fazer? Eles falam, andam, choram, dançam, golpeiam, rodopiam e num futuro próximo, lavar, passar, cozinhar, limpar, etc. (Essas crianças deveriam assitir ao filme sobre o boneco "Chuck".) Ou seja, os brinquedos não deixam nada para a imaginação das crianças, eles já vêm prontos, eles contribuem para o vazio mental e para a agressividade.
          Como se não bastasse tudo isso, soma-se a ausência de pais como pais e não como amigos. O Estaturo da Crianaça e do Adolescente tem seu mérito até certo ponto. Eu não sou a favor de espancamento, nem de tapas. Mas sou muito a favor da bronca (mas não do xingamento), sou muito, muito mesmo, a favor do NÃO. As pessoas não dizem mais a palavra NÃO. Isso é um absurdo! Quantas crianças cresceram mentalmente saudáveis, ouvindo não? TODAS!!!
          O importante mesmo é não lidar com a situação. É submeter-se às vontades das crianças para que não haja escândalo, por que imaginem só se alguém filma e coloca no Youtube, o seu filho dando 'showzinho'? Nos tornamos tão prisioneiros de nossa própria tecnologia que esquecemos quem somos, quem é que realmente manda no pedaço. E detalhe, não é o seu filho de 3 anos!